O Sustento do Obreiro

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Por Orlando Arraz Maz

O sustento do obreiro é um assunto de grande relevância por parte de todos os cristãos envolvidos na obra do Senhor. A Trajetória do obreiro começa na igreja onde ele presta os seus serviços. É na igreja seu campo de trabalho, sob as vistas da liderança. Não se concebe a ida de um obreiro para o campo do Senhor sem passar pela igreja local. Nas Escrituras não temos instruções de trabalho independente da igreja.

Assim foi com Barnabé e Saulo que serviam a igreja em Antioquia: “E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”. (Atos 13.2)

Por certo o serviço deles, além de ser extremamente valioso na igreja, era notado e seguido pelos olhos do Espírito Santo.

É notável saber pela narrativa dos fatos que a liderança da igreja em Antioquia era sensível à voz do Espírito Santo. Estava em perfeita sintonia para cumprir a ordem divina: “Apartai-me…”.

O Espírito Santo tem grande interesse em trabalhadores à disposição do Mestre. Quando o Senhor Jesus participou aos discípulos que ele enviaria um Consolador, deixou claro seu profícuo trabalho no coração de uma pessoa desde o primeiro contato apontando a salvação em Cristo (João 16:8) e durante seus passos futuros. A promessa feita por Jesus neste texto foi cumprida em Atos 2 no Pentecostes.

E no livro de Atos vemos a atuação bendita do Espírito Santo, tanto é que alguns sustentam que o melhor nome para o livro seria Atos do Espírito Santo. Entre muitas de suas atividades, é ele quem dá instruções a Filipe para evangelizar o Eunuco (Atos 8), e em Antioquia para separar Barnabé e Paulo para um serviço. (Atos 13)

O obreiro, uma vez ouvindo o seu chamado pela voz do Espírito Santo em seu coração, deverá participar aos presbíteros de sua igreja local, expor-lhe o seu desejo e a plena convicção desse chamado.

Muitas vezes o chamado precede a anos de oração e um labor constante na igreja local, o lugar onde o servo se prepara de acordo com as regras do Senhor. Ninguém será bem sucedido se passar por cima da igreja, e por sua conta partir para a obra. A igreja deve assistir com muito cuidado e bastante zelo o encaminhamento de seu membro à obra missionária. É uma honra para uma igreja local ter um de seus membros, ou vários em plena atividade no campo. Pode ser no bairro onde a igreja congrega, ou em outra localidade, ou em outro país.

Assim como o obreiro, a liderança também deve ser sensível ao Espírito Santo, pois este mostra fortes indícios de que o futuro obreiro é indicado para o nobre ministério.

Mas logo surge o quesito “sustento” que é um assunto importante na vida do obreiro. Alguém já disse: “Se o Senhor é quem manda, e Ele quem paga a conta”. Sem dúvida, Sua fidelidade é infalível e Ele tem honrado aqueles que obedecem ao seu chamado, e têm partido para a obra sob plena convicção.

Sim, é Deus quem está mandando, mas a igreja é responsável por esse precioso trabalho, pois o obreiro tem suas necessidades, muitas vezes mulher e filhos que necessitam de todos os cuidados, com alimentação, moradia, instrução, saúde, e as necessidades não se esgotam. E a igreja deve suprir com todo o empenho tais carências através de seus membros.

A igreja não pode desprezar tal procedimento, pois é um braço do Senhor que se estende para abençoar sua obra. Parafraseando o profeta Isaias, (52:7) as “mãos da igreja” são igualmente formosas em conduzir aqueles que vão gastar seus pés sobre os montes anunciando a paz pelo sangue do Senhor Jesus Cristo. “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!”. (Isaias 52:7)

Mas se a igreja falhar nesta área, o que às vezes pode ocorrer com o direcionamento de seus recursos para outras atividades, Deus vai continuar honrando o chamado do servo. Mas, de que forma? Surge a pergunta.

O obreiro deve então enviar cartas, e-mails com dados de sua conta bancária, expor suas necessidades, seus compromisso?

Creio que dentro desta circunstância deve existir uma boa ponderação por parte do obreiro, pois há uma grande diferença entre informação e solicitação.

Seria ideal o obreiro fornecer detalhes com informações do lugar onde serve o Senhor, falar de sua família, da escola dos filhos, das condições espirituais da localidade, e muitas outras informações que servirão para orientar o povo de Deus.

Já a solicitação de recursos assume outra conotação. Deus conhece as necessidades do obreiro, e sem dúvida vai tocar o coração de crentes fiéis que amam a sua obra, enviando sua contribuição.

No passado Deus usou corvos para sustentar seu servo Elias (I Reis 17). Hoje ele usa homens e mulheres salvos pela graça, que mesmo distantes dos postos avançados dos campos de trabalho, enviam parte do sustento do obreiro que está na linha de frente.

Pode ocorrer, ainda, na premência das necessidades, que o obreiro desenvolva alguma atividade que tenha habilidade, e por um período venha a exercê-la para angariar recursos para si e sua família, tal como fazia o apóstolo Paulo na confecção de tendas.

Assim pensava C.H. Mackintosh: “Dar conhecimento das minhas necessidades, direta ou indiretamente a um ser humano, é sair da vida de fé e uma positiva desonra a Deus. É, na verdade, traí-LO. Equivale a dizer que Deus falhou comigo e que preciso pedir socorro a um amigo. É abandonar a fonte de águas vivas e voltar-me para uma cisterna rota. É colocar a criatura entre a minha alma e Deus, privando a minha alma de rica benção e a Deus da glória a Ele devida”.

Que as lideranças das igrejas tenham seus olhos voltados para a obra missionária, que ensinem crianças nas mais tenras idades, adolescentes, jovens e adultos a amarem e contribuírem com a obra missionária. Que apresentem biografias de missionários que foram usados através dos tempos, e que foram supridos por Deus através de seus filhos. Que ensinem os membros a serem fiéis em suas ofertas em favor da obra missionária.

Texto extraído do IDE, 2011, pág. 11.

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